15 de Abril de 2014

Remendos de crochet

Aprender a costurar foi das coisas mais úteis que podia ter feito. Vai-se a ver e aprender crochet também. Porque de vez em quando dá para aliar um ao outro e salvar uma peça de roupa que, de outra maneira, iria direitinha para o lixo.

A Inês herda muita roupa das primas e amigas. Um dos vestidos, que ela adorou, veio com uma nódoa que nunca consegui tirar. Como nunca gostei muito do vestido, pensei em fazê-lo desaparecer misteriosamente, mas seria uma injustiça, pois é um dos "vestidos de princesa" que a minha filha adora.


Uma solução seria retirar o forro, mas se é o forro que lhe dá o ar rodado, mais valeria deitá-lo para o lixo. Pensei em colocar um daqueles apliques termocolantes, mas depois lembrei-me de fazer um remendo em crochet do tamanho da nódoa.


Assim, em menos de nada fiz dois quadrados que uni e cosi com linha da mesma cor. A nódoa ficou apenas visível do avesso.



O aspecto final fica bem discreto.




O processo todo não demorou mais de meia hora e ficou uma solução bem mais barata e ecológica do que deitá-lo fora e comprar outro.

14 de Abril de 2014

Democracia na linguagem

À conversa com a Inês, brincando a um jogo sem grande sentido:

- Vou-te comer os olhos, a boca, as maminhas, as costas, o corpo, os pés, os dói-dóis e os múscales.
- Os quê?
- Os múscales.
- Ah... Os músculos.
- Musculares.
- Músculos...
- Musculares! Cada um diz como quer!

11 de Abril de 2014

Dos segundos [versão actualizada]


A propósito deste artigo da Up To Lisbon Kids sobre ter um terceiro filho, e eu que (ainda só) vou no segundo, vai  não vai lembro-me de algumas diferenças sobre a forma como as minhas duas foram/são recebidas neste mundo.

Começando pela diferença abismal do número de visitas no hospital e em casa na era do puerpério (salvo os avós e dois casais amigos, a Alice foi praticamente ignorada por toda a gente) e do tipo de prendas que recebemos para ambas (enquanto a primeira recebeu desde roupa a brinquedos, linhas completas de cosméticos e banheiras, a segunda foi corrida a rocas...), a Alice leva com todos os brinquedos e roupas usadas da irmã e é se quer. As roupas ainda as lavei antes de as usar. Mas os brinquedos foram directamente da caixa onde estavam guardados há dois anos para a boca dela. Nem vale a pena dizer que, quando foi da Inês, esterilizava tudo e um par de botas. Pelo menos até perceber que não era preciso cair em exageros.
O tipo de fraldas usado também sofreu uma grande alteração. Na verdade a marca nem importa. O que importa é a promoção. Só sou esquisita com as toalhitas, que compro na farmácia, mas de resto a mais nova é muito pouco dada a frescuras. Tanto que, à força de ter a mais velha para deitar, ler a história e o diabo a sete, a Alice aprendeu a adormecer sozinha bem cedo.

Isto são as coisas óbvias.

Depois há aquelas nuances da segunda maternidade mais relaxada como quando saio à rua sem fraldas nem toalhitas, a miúda bolça e eu limpo com o que está mais à mão: a écharpe. Assim como assim, ando sempre despenteada, com nódoas de bolçado e a cheirar a papas e leite azedo.
Sim, porque há coisas que nunca mudam.

10 de Abril de 2014

Diz que não é um blog de moda...

... mas que este colar vai ficar muito bem com a minha Wiksten dos flamingos, lá isso vai.


Um grande bem-haja à NikibiDesigns (uma empresa portuguesa, com certeza!) pela simpatia e pelo fantástico serviço, pois não só me enviou o colar com uma rapidez inesperada como ainda me ajudou a perceber os tamanhos reais dos colares em polegadas. Foi a minha estreia na compra de bijuteria online e, sem esta imagem para me orientar (cortesia da NikibiDesigns), bem que podia ter corrido mal.


Eu, que nem sou nada destas coisas...

4 de Abril de 2014

2 de Abril de 2014

A pior mãe do mundo

Estava tudo pronto para sairmos de casa quando virei costas para ir buscar a chucha da Alice. Três segundos depois, ouvi-as cair, uma em cima da outra, a Inês no chão e o carrinho virado de pernas para o ar, com a Alice lá dentro. Dizer que o meu coração parou é um eufemismo. Soltei um grito que não sei de onde veio e, depois de verificar que a Alice estava bem, apesar do susto, zanguei-me. Zanguei-me muito. Zanguei-me tanto que fiquei feita em frangalhos. Apesar de saber que uma criança de três anos não tem consciência do que pode acontecer quando se debruça e tenta subir para um carrinho de bebé com um bebé lá dentro, a soma das vezes que já a tínhamos alertado para isso acabou por me toldar o sentido de justiça e a capacidade de não exigir da mais velha atitudes de pessoa crescida.
O resto do dia correu mal. Foi mesmo o pior dia de maternidade da minha vida. Correu tão mal, do princípio ao fim, que fui para a cama certa de que não só era muito pior mãe do que julgava ser, como era até mesmo uma péssima mãe.

Foi por isso que muito me surpreendeu ter chegado hoje de tarde à escola e ter visto, exposto na parede, o desenho da minha filha alusivo ao Dia do Livro Infantil. Fora pedido às crianças que ilustrassem um conto que tinham ouvido (ou um dos contos preferidos, não percebi bem, tantas eram as interpretações das crianças). E ela escolheu desenhar-me a mim. 


Não sei se primeiro veio a vontade de chorar se a de me açoitar e colocar um cilício, se foi tudo junto. No dia a seguir ao filme "A minha mãe é uma bruxa", a minha filha optou por desenhar-me a mim, a sua personagem preferida, em vez de ser fiel ao guião proposto. 

E eu pensei, poças, pá, alguma coisa hás-de estar a fazer bem.


* Entretanto, o dia hoje correu melhor.

31 de Março de 2014

Isto já passa

Belém
Há dois anos passei por uma família francesa que viajava por Portugal de bicicleta e levava o seu filho pequeno num atrelado. Descobri-lhes a página no Facebook e ainda lhes segui as aventuras durante algum tempo, mas entretanto perdi-lhes o rasto. 
Este Verão, o pai das minhas filhas subiu ao Pico e, durante a subida, conheceu uma família com duas filhas que tinha ido acampar com as miúdas lá para cima. Ainda hoje ele fala nisso e em como gostava de levar as suas filhas a fazer o mesmo daqui uns anos.
O ano passado, ou há dois anos, já não sei bem, a família viajante mais mediática de Portugal começava uma volta ao mundo com uma criança de 5 anos, deixando muitos horrorizados com a ideia de levar uma criança tão pequena para destinos tão longínquos e exóticos, outros surpreendidos com tamanha coragem e ainda outros, como eu, com a garantia confirmada de que ter filhos não tem de ser impedimento para nada e que está tudo nas nossas cabeças. É claro que tem de haver dinheiro para isso e uma série de condições favoráveis, como a mobilidade do trabalho de, pelo menos, um dos progenitores. Mas reunindo-se essas condições, é só mesmo uma questão de mudar o chip.
Há poucos dias, li a notícia num blogue de que gosto muito de que esta família com dois filhos decidiu largar tudo e partir em viagem durante um ano. A única diferença dos casos acima citados, é que estas crianças já estão em idade escolar. Para não perderem o ano, os pais vão ensiná-los em viagem de acordo com o programa curricular, em regime de homeschooling.

Sesimbra
Depois do sentimento inicial de inveja, fiquei maluca. Comecei imediatamente a pensar que nós também nos devíamos atirar para uma aventura destas. E quando. Quando as miúdas tiverem pelo menos cinco anos, para que as memórias da viagem não se desvaneçam com as dores de crescimento. Tendo em conta que a Alice nasceu há poucos meses, isso dá-nos uma margem de cinco anos para começar a poupar e planear, o que acho que é razoável, tanto para aprofundarmos esta ideia como para a largarmos de todo (o mais certo). Imagino, com um encolher de ombros, o que os avós iriam dizer. Mas imagino, com um sorriso nos lábios, as marcas profundas que uma viagem deste tipo poderia deixar nas minhas filhas. O que lhes poderia ensinar, sobre elas, sobre os outros, sobre elas com os outros, sobre a entreajuda familiar, sobre o desapego aos bens materiais, sobre o aproveitar o aqui e o agora, sobre isto e tanto mais, tanto mais.
Muitas vezes penso que me faltou dar uma volta ao mundo antes de ter filhos. Como se a porta se tivesse fechado permanentemente agora que já tenho duas. Como se ir viajar agora só puder ser feito a dois, porque o preço dos bilhetes de avião sobe exponencialmente quando somos quatro, porque também precisamos de uns dias só a dois e porque elas também ficam tão bem com os avós e lhes é basicamente indiferente ir passar uns dias ao Brasil ou ali a Montegordo. Isso é tudo muito verdade, pelo menos enquanto ainda são pequenas. Mas quando deixarem de dar tanto trabalho, quando começarem a perceber as coisas e a ver o mundo com outros olhos, gostava de pensar seriamente nisto de as levar a conhecer o mundo, de lhes dar as bases para viverem em comunidade, descentradas de si próprias, com consciência do lugar que têm no mundo e do que nele e dele querem fazer.
Podemos começar com uma viagem por Portugal durante três semanas. Ou com uma viagem pela Europa durante as férias do Verão. Ou se isto for pedir muito acampar na Galiza também servirá para me apaziguar as ganas de lhes querer proporcionar a melhor infância do mundo fora da rotina quadrada que muitas vezes levamos.
Tapada da Ajuda
Sonhos, não passam de sonhos num breve momento de loucura temporária. Quando o homem chegar de viagem e me fizer uma ou outra pergunta, porque ele pensa sempre em tudo, e eu puser de vez os pés no chão e vir que isso afinal é para os outros, vou engolir em seco e continuar na  minha vidinha que não é má de todo e contentar-me em levá-las a passar uns dias num bungalow em Peniche. Ou apanhar pedrinhas para o parque perto de casa. 
Se formos a ver bem, é tudo uma questão de gestão de expectativas.

Linda-a-Velha

28 de Março de 2014

Morangos para o jantar


Ela ainda não sabe, mas esta semana vai haver morangos para o jantar. Que é o mesmo que dizer: vai entrar a "semana do bandalho". Ele bem me fez prometer que não a vou deseducar, mas ficou contente com a minha definição de deixá-la fazer o que quer "dentro do razoável". 
Sempre que o pai está fora, eu basicamente não estou para me chatear (não é bem isso, mas espremido vai dar ao mesmo). A verdade é que ela se porta melhor quando está sozinha com um de nós do que quando está com os dois, portanto eu nem devia estar com coisas. Mas mulher prevenida vale por duas e já tenho tudo pensado ao pormenor.
Comecei por me abastecer daquele tipo de comida de que ela gosta e que nós nunca ou nem sempre lhe damos, mas não posso pormenorizar, porque o pai dela vai ler isto. Chamemos-lhe a estratégia da compensação com comida, mais conhecida por "come e deixa-me ver o Facebook". Funciona, se é que ainda não deram por isso.
Depois passa muito por sair da rotina e fazer coisas giras. Ir à piscina, fazer bolinhos, pintar caixinhas (e camisolas...), deixá-la ver filmes no Youtube enquanto se faz o jantar, quiçá dormir comigo e com o gato na mesma cama (estou aqui a pensar que o co-sleeping pode ser uma técnica eficaz para evitar os terrores nocturnos... mas também ajuda a que não tenha de me levantar muitas vezes durante a noite - mas este ponto ainda está em estudo) e no domingo ir ver não sei o quê na Ler Devagar que diz que é giro. Quando tudo o resto falhar, vamos ao restaurante comer pizza e gelado.
Ainda pensei em deixá-la não tomar banho durante uma semana inteira, mas acho que isso já é dar mau exemplo.

O truque é descomplicar e passar uma semana sem grandes atritos ou imprevistos. Vou estar sozinha com uma de três e outra de peito, razão mais do que suficiente para não me poder deixar vergar pela inflexibilidade do dia-a-dia. Se fosse mãe solteira, não podia alimentá-la sempre a douradinhos, mas como não sou, acho que me é permitida uma dose saudável de desleixo parental.

É claro que, na pior das hipóteses, fica tudo como estava, o que também não é necessariamente mau.

É disto que falo quando falo em ir para a cama a pensar no pequeno-almoço do dia seguinte



Receita aqui.

27 de Março de 2014

Os terríveis três

Para aqueles pais que estão a ter um princípio de parentalidade difícil, com noites mal dormidas, rabos assados, mamilos gretados e petizes que não aceitam a papa, eu só tenho uma coisa a dizer: esta é a parte fácil! Esta fase, desde bebés até ao ano/ano e meio - quando começam a andar e a falar e a fazer coisas realmente engraçadas e enternecedoras, em que o enamoramento é total - é a parte fácil. É que depois disso chegam os dois anos e com eles as primeiras birras de se atirarem para o chão, a vontade própria do eu quero, posso e mando, a consciência do eu e do mundo em redor deles, entre outras coisas com muito menos racionalidade. Os "terrible two", prometem os livros sobre parentalidade, são só isso mesmo, terrible two. Aos três tudo será diferente, vão ver. 

(Nesta parte sou eu a cantar aquela música do Jorge Palma "deixa-me rir... lá lá lá".)

Mas os três, senhores, os três são bem piores. Os três são... humm... como dizer... maléficos? É claro que tem aquela parte gira de eles já se saberem expressar bem e poderem ter conversas com princípio, meio e fim, e serem muito fantasiosos e criativos e vos dizerem coisas como "és a minha mamã fofinha" e vos fazerem rir (e se rirem) com as coisas mais parvas. Mas falar muito e bem traz um problema: a argumentação. Com três anos uma criança argumenta (e se argumenta...) e negoceia (e se negoceia...) e é capaz de nos deixar com a cabeça em água em dois minutos e meio. Depois têm comportamentos autistas como só poder comer a banana se forem eles a descascá-las ou os lápis terem de estar todos virados para cima senão o mundo acaba ou escolherem, determinados e irredutíveis, a indumentária que querem levar para a escola nesse dia (se bem que o resultado é o mesmo quando é o pai a escolher-lhes a roupa). Isto para não falar dos terrores nocturnos, que dão a sensação de estar a viver certas cenas do filme "O Exorcista" (yes, been there...). 

Segundo consta, os quatro também não são melhores. Ou, pelo menos, é melhor manter as expectativas baixas. Agora aos cinco é que é, ouvi eu de duas fontes fidedignas. Portanto, isto é como a promessa de retoma do país. Estão na merda agora, mas não se preocupem que isto em 2040 é que vai ficar mesmo bom. Não interessa nada se ainda só estamos em 2014, porque em 2040 é que é. 
Assim é com os filhos. 

Pais do mundo: diz que é aos 5 que eles ficam tratáveis! Rejubilai de alegria! A salvação existe!

(Portanto, gozai agora a fase em que os podeis deixar na espreguiçadeira entretidos com um boneco durante vinte minutos seguidos: a fase dos bebés que só mamam, cagam e choram é, sem dúvida, a única fase verdadeiramente descontraída!)