17 de dezembro de 2014

Essa coisa do Feng Shui

Nem de propósito: ontem fui a uma palestra sobre destralhar. Não estava previsto ir ontem, mas consegui organizar-me e tive a preciosa ajuda do homem que ficou com as meninas em plena hora do caos.

Não foi tanto o que aprendi, foi mais a curiosidade que a palestra me despertou para certas áreas, como o Feng Shui. Em certas alturas, pensei "mas isto faz todo o sentido", mas depois a formadora começou a falar de sinais de que a casa fala connosco e como curar a casa com cristais e ficou o caldo entornado. Sou muito céptica com certas coisas. E sei perfeitamente que a humidade que se instalou nas paredes da casa se deve ao microclima aqui da zona e à proximidade da serra e do mar e não necessariamente a áreas estagnadas da minha vida sentimental! Quer-se dizer. Não há necessidade de rebuscar. Por outro lado, há coisas que, de tão simples, fazem todo o sentido. Se entra água pela janela da sala quando chove, porque raio é que não mandamos arranjar aquilo? Não acredito que seja um sinal de que as finanças andam mal (e vai daí...), é simplesmente um sinal de desleixo! E o Feng Shui não se presta a desleixos. 

De qualquer maneira, falou-se em coisas muito interessantes e que acho que posso aplicar na minha vida sem fundamentalismos. Destralhar não só para limpar os espaços e celebrar o desapego ao passado, como também para criar espaços vazios para deixar entrar coisas novas no futuro e, assim, desbloquear as nossas aspirações. Destralhar é uma purga que fazemos, não só à casa, como a nós próprios. A verdade é que me sinto sempre muito mais leve depois de uma sessão valente de destralhamento. Não só porque, visualmente, o espaço fica muito mais acolhedor e convidativo, mas também porque é uma forma de sentir que andei para a frente, que mexi o rabo e estou pronta para novas mudanças.

Destralhar não se limita apenas a zonas da casa, divisões ou roupeiros. Praticamente tudo é passível de destralhamento, senão vejamos:

- Quarto da tralha, sótãos, arrecadações, garagens (o nosso caso)
- Debaixo da cama (culpados, culpados, culpados)
- Roupeiros
- Estantes dos livros
- Malas e carteiras de senhora (quem consegue encontrar as chaves à primeira?)
- O carro (quem me conhece sabe que o nosso é uma vergonha pegada...)
- O e-mail
- O telemóvel (quantas aplicações é que usam realmente?)
- O PC/portátil (fotos desorganizadas, documentos obsoletos, etc.)
- O escritório, quer seja em casa quer na empresa

E, por falar em escritório, sabem como devem organizar a vossa secretária para promover a criatividade e a concentração? Parece que há um espaço certo para tudo e eu já mudei ali o lugar das canetas (diz que é mais para a direita).


Entretanto, uma dica que não é para mim que tenho meia dúzia de sapatos, mas que pode dar jeito a muita menina vaidosa que se queixa que sai pouco: arrumem os sapatos com as biqueiras viradas para fora. Diz que isso promove uma vida social mais activa. E não digam que vão daqui.

16 de dezembro de 2014

Calo no pé


Deambulando pelos corredores da biblioteca à procura de um dicionário de direito alemão que não havia, resolvi trazer um livro para casa. Depois de me admirar com a arrumação minuciosa da secção de ficção, com os livros organizados por país de origem, demorei muito tempo a escolher um livro. Mesmo muito tempo. Confesso, aliás, que foi dramático. Nenhum dos livros que pedi para o Natal se encontrava disponível e a maior parte dos livros que me chamaram a atenção eram livros, cujos exemplares tenho eu em casa, o que diz muito sobre esta necessidade de trazer coisas novas para casa quando ainda temos coisas novas em casa. Lá peguei num livro de Virginia Woolf e levei-o para a mesa para me ir habituando à ideia, mas acabei por decidir que não tenho paciência para Virginia Woolf e devolvi-o à estante. Peguei neste e naquele livro, folheei este e aquele livro, li o primeiro parágrafo deste e daquele livro e acabei por devolver todos à estante. Por fim, peguei num Doris Lessing e deixei-o repousar nas minhas mãos. Requisitei-o, sem grande convicção, contudo. Estava-se mesmo a ver que não vou conseguir lê-lo até ao fim antes de o prazo de entrega terminar, mas trouxe-o, mesmo assim. Porque tinha mesmo de trazer um livro novo para casa.

Isto fez-me lembrar a minha filha mais velha e acho que consegui entender, finalmente, o que ela sente quando entra no quarto das brincadeiras (nesta casa partilho o quarto onde está a minha máquina de costura com os brinquedos das miúdas) e vê tantos brinquedos à sua disposição*. 

E foi assim que cheguei à magnífica conclusão de hoje: destralhar é como ter um calo no pé. Por muito que se tire, que se raspe, que se amacie, o calo volta sempre a nascer. A não ser que se ampute o pé. Mas agora já estou a desconversar.


15 de dezembro de 2014

As Leis de Murphy aplicadas à tradução freelancer (ou ao trabalho freelancer no geral)

Podes passar dias ou semanas sem receber trabalho, ou com aqueles trabalhos de caca que se fazem numa manhã e não trazem nada de novo em termos financeiros, mas sabes que vais arranjar trabalho de certeza quando:
- Já tens trabalho. Não é incomum aparecerem dois trabalhos volumosos ao mesmo tempo (literalmente no mesmo minuto, sei do que falo), ou o volume de trabalho aumentar quando já tens um volume de trabalho considerável;
- A tua filha ficou em casa doente;
- Tu ficas doente ou com uma daquelas enxaquecas de morrer;
- Resolves sair para ir tratar de algum assunto ou, simplesmente, relaxar. Já me aconteceu estar no carro pronta para arrancar, lembrar-me de ir ver o e-mail no telemóvel, pois não o via há 5 minutos, e ter de voltar para casa.
- Quando a tua filha faz anos e tens uma festa para preparar.

É que não falha. 

A Inês faz anos na próxima segunda-feira e, se por enquanto o volume de trabalho está bastante razoável, nem muito nem pouco, assim como se quer, já sei que vai ser mesmo no dia 22 que vou receber aquela proposta. Quanto apostam?

13 de dezembro de 2014

Panquecas de kiwi

Estava na cama a pensar que não tinha nem leite nem pão para o pequeno-almoço e que não me apetecia ir ao Júlio com esta chuva. Pensei que há muito tempo não fazia panquecas. Peguei num iogurte líquido, um ovo, farinha de aveia, uma banana e açúcar de coco e fiz mais de 10 deliciosas panquecas. Depois, descasquei três maçãs reinetas, cortei-as aos cubos, reguei-as com sumo de meia laranja e polvilhei um pouco de açúcar de coco e foi ao forno a tostar. Serviu com iogurte grego natural, raspas de coco e canela, a acompanhar com chá de ervas e sumo de laranja natural e o que restou foi mais ou menos isto:


 

É claro que só depois de a Alice, A Pequena Trituradora, ter comido duas panquecas e meia é que me lembrei que o iogurte com que fiz as panquecas era de kiwi e que não é suposto ela comer kiwi por mais um ano, mas se a pediatra não perguntar, eu também não vou dizer nada.

10 de dezembro de 2014

12 horas

Hoje fiquei de cama com uma daquelas enxaquecas que chegam depressa e me toldam a visão e a capacidade de assimilar cheiros e digerir comida. Pedi ao Tiago que fosse buscar as meninas à escola e que fosse dar uma volta com elas para fazer tempo de o segundo comprimido superpotente (a porra que é) fazer efeito. Quando chegaram, ainda eu estava deitada, de pano húmido sobre a testa que é só como consigo estar nestas alturas. A Inês, muito preocupada comigo, ofereceu-se para me dar a mão ao descer as escadas (para eu não cair), ir buscar-me uma frutinha e tapar-me com a manta. Depois enroscou-se ali comigo e ia perguntando se precisava de alguma coisa com uma insistência muito maternal e algo exagerada... A Alice, ao ver a mana com a mãe e completamente alheia a maleitas dos adultos, começou a puxar a manta com força e a irmã para baixo para ser ela a enroscar-se ali comigo. Por dois segundos, apeteceu-me ter mais filhos para ter muita gente que me apaparique quando tenho enxaqueca. Mas depois lembrei-me que enxaquecas e (muitos) filhos estão como o vinho está para a água e voltei a concentrar-me na minha dor.
E foi então que, 12 horas depois de ter aparecido, a dor desapareceu, assim do nada. Durante 12 horas, eu não fui eu, eu fui um corpo inerte no sofá com um gato em cima. Não fiz nada. Não trabalhei, não comi, não me diverti, não dei carinho às minhas filhas, não namorei, não fui ao ginásio. Nada. O que me leva a pensar que ter saúde é capaz de ser a coisa mais importante desta vida.

4 de dezembro de 2014

Dormir é coisa para fracos

Quando estava a mostrar a casa à nova empregada (abençoada seja!), chegámos ao quarto das crianças e eu, meio envergonhada, tentei justificar o cenário de batalha campal com camas desfeitas e dois colchões no chão. Pois, sabe, é que a mais velha agora recusa-se a dormir na cama dela, temos tido alguns problemas neste campo... Ao que ela responde, com a maior naturalidade do mundo, que isso era do mais normal que havia e que o filho do meio dela dormiu no chão até aos 7 anos (neste momento, apeteceu-me rebolar pelo chão a chorar e arrancar os cabelos).

Há umas boas semanas que eu só sei o que é dormir uma noite inteira na minha cama, ao lado do meu homem, se elas forem para a avó (abençoada seja!). Nas noites normais, por volta das duas da manhã, se não antes, lá vai um de nós para o quarto delas, porque a mais nova tem tosse e acorda a mais velha ou porque a mais velha tem pesadelos e acorda a mais nova, e acabamos por pôr cada uma em seu quarto com um dos pais e dormir o resto da noite em camas separadas. Quem fica com a cama de casal tem mais sorte do que quem fica no colchão no chão, mas depois de várias noites assim, não há disputas sobre o melhor colchão. A malta quer é dormir!
Não sei se isto de as crianças preferirem dormir no chão em vez de na cama deles é assim tão normal, pelo menos ainda nunca tinha ouvido casos destes. Dormir na cama dos pais? Já tinha ouvido. Os pais dormirem com os filhos na cama dos filhos? Já tinha ouvido. Os filhos preferirem dormir no chão e querem que os pais durmam com eles no chão? Nunca. (E vai daí...) Mas há sempre uma primeira vez para tudo e já não vão daqui sem terem aprendido uma coisa nova, que é: quem tem filhos não pode nunca cantar de galo. Ah e tal, eu nunca vou fazer assim. Não pode. Ah e tal, eu cá nunca vou fazer assado. Não pode. Especialmente quando os nossos objectivos parentais são comprometidos pela privação de sono. Não há volta a dar. Às duas da manhã a malta não quer saber do que não se pode e não se deve fazer nisto de educar, a malta quer é que elas parem de chorar, se enrosquem em nós quietinhas e nos deixem dormir.

Já pensei, no entanto, em várias formas de convencer a miúda a saltar para a cama dela e não sair de lá. Nenhuma envolve cordas e nós de escuteiro, estejam descansados. Pensei em coisas mais doces como suborná-la com chocolates (check!), coisas mais lúdicas como mostrar-lhe vídeos do Anselmo Ralph (check! and don't ask!) ou coisas mais pirosas como comprar-lhe um edredon da parva da Violetta. Not check, porque mãe (ainda) tem limites! 

Por isso venho aqui pedir encarecidamente que me inundem com as vossas sugestões infalíveis para convencer a Inês de que a cama dela é que é. Preciso muito de ajuda. Já estou a chegar àquele ponto em que, quando me vou deitar, penso se valerá a pena deitar-me na minha cama...


3 de dezembro de 2014

(Off topic)

Tenho uma nova mulher-a-dias. Assim de repente, podia enumerar aqui entre 10 a 15 razões porque é que esta é mil vezes melhor do que a anterior e cem vezes melhor do que a antes dessa, mas vou poupar-vos a pormenores e anunciar apenas que estou seriamente a pensar em construir um altar em honra à Lena, à entrada de casa, e obrigar toda a gente, bebé incluída, a fazer vénia à deusa antes de entrar ou sair de casa.

Meu deus, que descanso.

30 de novembro de 2014

Coisas da idade

Acho que o primeiro sinal de que estamos a ficar velhas, muito mais do que os cremes para as rugas, a incapacidade de aguentar ressacas ou as dores nos ossos, é quando deixamos de saber a nossa idade.

- Tenho 35. ... Ai, não, espera... 34. Ai, não sei... Oh, meus Deus! Em que ano estamos?

Contas feitas, é triste já estar assim aos 34.

28 de novembro de 2014

Calendário do Advento - DIY


O Advento começa na próxima segunda, dia 1 de Dezembro. Como tal, ainda vão a tempo de fazer o vosso próprio calendário do Advento durante o fim-de-semana. O nosso já está mais ou menos pronto, só falta um ou outro retoque que vou concluir no fim-de-semana. Tendo em conta que ia cosendo duas janelinhas por dia, até nem levou muito tempo a fazer. É bastante simples de executar, muito económico e ocupa pouco espaço. E nem é preciso ter máquina de costura. Podem fazer a mesma variante com cola especial para tecido. Vejam aqui um exemplo parecido ao meu, mas usando feltro e cola.

O que eu usei:

- Um rectângulo de feltro suficientemente largo e alto para caberem cinco quadrados de largo e cinco ao alto.
- Um pacotinho de 24 corações em feltro numerados que comprei na At Home Hobby
- 24 quadradinhos de retalhos que tinha cá por casa
- Fitas de viés decorativas com motivos natalícios que cosi nas margens superior e inferior
- Cola para tecido
- Linha ou lã para pendurar
- Fita adesiva bilateral para colar para reforçar a adesão na parede



Como fiz:

1. Cortei 24 quadrados de tecido a partir de um molde pré-feito; para não ter de fazer bainhas, cortei as margens com uma tesoura zig zag.



2. Cosi os 24 quadrados ao rectângulo de feltro, deixando a parte de cima aberta.



3. Cosi duas fitas de viés às margens superior e inferior.

3. Colei os corações aos quadrados.




4. Apliquei uma fita de linha para pendurar na parede, mas o resultado não saiu como esperado e tive de reforçar com fita adesiva com face bilateral daquelas que, dizem eles, não estraga as paredes ao retirar. Mas ainda não estou satisfeita com o resultado. Acho que com o peso das surpresas que vou colocar dentro das janelinhas, aquilo vem tudo abaixo... Sugestões?



Ainda me falta aplicar qualquer bonecada ali no espaço deixado ao lado do 24. A Inês sugeriu um Pai Natal, porque... afinal, é Natal!

Não é nada de especial, mas não tem de ser. É para uso próprio e tem todas as falhas que se esperam de alguém que foi cosendo aos poucos com uma das filhas agarrada às pernas...



E o que colocar nas janelinhas? Este ano tentei fugir aos doces e chocolates e arranjei outros artigos pequenos que coubessem nas janelinhas sem estragar a surpresa e que fossem do agrado de uma miúda super feminina de 4 anos. Assim, vou alternar um chocolate com um não chocolate, como por exemplo:
- Ganchinhos
- Elásticos para o cabelo com bonecada
- Colares ou pulseiras
- Figuras Lego
- Borrachinhas com formatos engraçados
- Um bloco de post-its em forma de coração para ela ir colando bilhetinhos pela casa
- Plasticina (mas essa não cabe...)
- Um batom de brilhantes próprio para a idade
- Autocolantes

É claro que isto são só algumas ideias. Consoante a criança que tiverem em casa, podem lembrar-se de outras coisas. E por essa Internet fora há imensas ideias, como estas. Pessoalmente, gostava que um dia alguém se lembrasse de me fazer este calendário de Natal. Just sayin...

E agora vá, seus preguiçosos, toca a pôr mãos à obra este fim-de-semana! E... bom Advento!